

Sempre ouvi falar de Deus...Eu passei a minha vida escutando falar em Deus Para mim Deus era um personagem da minha infância Um ser, uma imagem a qual as pessoas se ajoelhavam Pedia favores, e lhes prestavam serviço, sagrado
Intereção Tânia Sousa
Na minha cabeça de criança, Deus morava em um céu azul com portões dourados e anotava em um caderninho os erros e acertos de todo mundo Parecia mais um fiscal do que um Pai; Era onipresente diziam, Mas eu só o via nos retratos pedurados nas paredes das igrejas
Nos olhos fechado de minha avó em orações e canticos Ou nas promessa desesperadas de adultos em apuros Creci achando que Deus era algo que se acreditava ou não Como uma supertição sofisticada ate que um dia, sem aviso ele me visitou
Não com trombetas e relampagos ou milagres Mas no silencio de uma dor que ninguém viu ou sentiu Uma força que eu não sabia que tinha Foi ai que entendi que Deus não era o personagem de minha infância
Ele era o silencio que me sustentava quando as palavras falhavam Era o abraço que eu não recebi, mais que senti Era a resposta que vinha depois do choro, e não antes
Hoje eu não me ajoelho para pedir Eu respiro fundo e caminho em silencio, Pois sei que ele caminha comigo Não como um senhor distante mas como uma presença viva discreta e surpreendentemente intima.
Alberto Gonçalves e Tânia Souza
Enviado por Alberto Gonçalves em 04/10/2025
Alterado em 04/10/2025 |