Um passo no vazio
Por Alberto Gonçalves
Na encruzilhada da vida, um “T” se revela,
Não é apenas um caminho, mas um destino à espera.
Olho adiante, a estrada se extingue,
E, com passos hesitantes, me aproximo da borda,
Do precipício que me chama,
Onde o abismo sussurra segredos do desconhecido.
Lá embaixo, a escuridão oculta o fundo,
O silêncio é ensurdecedor, um eco profundo.
Com uma pedra, lanço-me em busca de sons,
Mas o tempo se arrasta, e o silêncio se expande,
Nada responde à minha súplica,
A incerteza se torna minha companheira constante.
Olho para trás, a rua que deixei,
E vejo opções, bifurcações que não sei.
À esquerda, à direita, o que escolher?
Decido seguir à direita, sem saber onde vai dar,
Caminho por horas, dias, semanas,
E a vida escorre, como areia entre os dedos.
Finalmente, chego a outro precipício,
A borda se repete, o abismo, uma armadilha.
Mais uma vez, olho para baixo,
E a escuridão me envolve, como um abraço frio.
A conclusão se forma, pesada como o destino:
Não há retorno, apenas um passo à frente,
E a certeza de que tudo pode acabar.