

Porque?
O tempo pode correr sem pressa ou com fúria, pode se alongar em séculos dentro de um só dia, mas eu continuarei procurando. Não conheço cansaço quando o coração insiste.
Que rios desabem das montanhas, que pontes antigas testemunhem minha passagem, que a chuva caia grossa, que o céu se rompa em trovões e o vento tente me derrubar — ainda assim, eu sigo. Eu procuro.
Viajarei pelos caminhos que o mundo esconde, pelas veredas onde só os teimosos pisam, pelas bordas do mapa onde a razão já não alcança. Chamem de loucura essa minha busca; para mim, é apenas destino.
E mesmo que o sorriso se estreite e as lágrimas insistam em nascer, meu passo não diminui. Eu continuo. Eu procuro. E eu vou encontrar.
Um nome esquecido no vento, um rosto escondido na memória, uma mulher que o tempo tentou soterrar. Eu encontrarei.
Pode fugir para dentro das cavernas silenciosas, esconder-se no ventre úmido da terra, perder-se em sombras que nem o sol conhece… Ainda assim, eu estarei lá, chegando sem aviso, para perguntar, com a voz que o tempo não conseguiu calar:
Por quê? Alberto Gonçalves
Enviado por Alberto Gonçalves em 19/11/2025
Alterado em 19/11/2025 |