

Palavras perdidas no tempo
Enfim, você me cortou. Bloqueou o último fio que ainda tremulava entre nós dois, a última ponte frágil que guardava uma remota chance de retorno, de palavra, de respiro.
Imagino que seguiu sua vida, talvez em outros braços, talvez em outra história. Coisas assim acontecem com corações que mudam de direção sem aviso.
E eu fico aqui perguntando onde guardou aquele amor imenso que dizia ser dez, cem vezes maior que o meu. Como alguém pode falar em amor escondendo o rosto, o nome, a própria verdade?
Eu fui inteiro, não me disfarcei, não inventei mundos. Você, não. Você era fábula, um conto de vidro, bonito — mas falso demais para durar.
E, mesmo assim, eu amei. Amei a voz, amei o que havia de verdadeiro em você, a pequena centelha de alma que escapava por entre as mentiras. Meu amor era real; o seu, talvez apenas uma paixão breve de quem ainda não se encontrou.
Histórias se repetem — como sombras antigas. O passado volta, veste outro nome, outro rosto, mas a cena é a mesma. Nada se cria, tudo retorna.
Eu não quero substituir você. O amor só é bonito quando há retorno. No nosso caso, restou apenas silêncio.
Dedicado à uma mulher especial Alberto Gonçalves
Enviado por Alberto Gonçalves em 22/11/2025
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