

Colo de Mãe
Eu ando tão desanimado tão sem vontade sem força, sem chama, sem direção. Caminho em passos vazios pelo mundo, desacreditando dos homens e, às vezes, até de Deus. Sinto-me avançando perigosamente em direção ao impensável.
Queria um colo de mãe, mãos lentas a afagar meus cabelos, uma voz mansa dizendo: “calma, filho, tudo vai se arranjar”. Mas minha mãe nunca foi abrigo, nunca foi gesto, nunca foi ternura. E não soube dar o que não recebeu
Carrego em mim um menino cansado, que aprendeu cedo a não pedir cuidado, mas que ainda chora em silêncio à noite, esperando um afeto que nunca chegou, um amor que ficou sempre do outro lado.
E mesmo ferido, sigo respirando, porque algo em mim ainda insiste em ficar. Talvez não seja fé, nem esperança clara, mas um resquicio de luz, pequeno e teimoso, que se recusa a apagar.
Alberto Gonçalves
Enviado por Alberto Gonçalves em 30/01/2026
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